Em todos esses anos nessa indústria vital, eu sempre vejo o mesmo roteiro se repetindo. Eu me esforço para usar o máximo de fontes possíveis sobre determinado assunto, pessoas não leem e tratam o assunto da forma mais rasa possível. Eu respondo às indagações e ao perceberem que ficaram sem resposta, passam a atacar outro ponto que não tem nada a ver com o assunto inicial. As vezes eu continuo respondendo, mas eu prefiro evitar, pois a pessoa realmente não demonstra que quer falar sobre X assunto, ela quer mesmo descarregar toda a raiva que ela sente.
Eu acredito que a raiz desse ciclo sem fim é a falta de informação e coerência para analisar os fatos. As pessoas focam em discutir COMO elas queriam que fosse, ao invés de discutir O QUE FOI que aconteceu. Como se pudessem mudar o passado...
Bom, a pesquisa de hoje tem sido preparada há um longo tempo. Pra falar a verdade, é um assunto bem chato de analisar e, até por isso, tive que pedir ajuda, mas é necessário no contexto geral.
Dentro desse ciclo que me refiro, após à primeira réplica, a pessoa vai começar a atacar a Ford dizendo que era uma bagunça, que era mesquinha, que não pensou em X coisa... ou no pior dos casos, vai me atacar pessoalmente, abrindo sua coleção completa de falácias.
A minha arma contra isso, são as minhas pesquisas. Hoje faço essa publicação preparando para a próxima que será ainda mais relevante, numa tentativa de cercar com argumentos válidos todos os lados da história real.
Então, para acabar, ou melhor, diminuir a conversa de que "A Ford estava quebrada e foi tudo culpa do Maverick", vamos analisar a situação da empresa imparcialmente.
Toda empresa de capital aberto (S.A.) é obrigada a emitir um relatório da diretoria para comunicar os acionistas e o mercado sobre o seu desempenho financeiro, operacional e social.
É por meio desse relatório que podemos avaliar o andamento da empresa, seus planos futuros, se está ganhando ou perdendo dinheiro ou espaço no mercado. Saber como estão lidando com a situação e o qualquer outro assunto pertinente que talvez não vire notícia.
Além de obrigatório, é importante demais. Você não vai comprar ações de uma empresa sem saber da sua saúde financeira, não é?
Pois bem, agora vamos entrar na Ford, uma multinacional poderosíssima, com tradição em carros de rua, corrida e tudo mais. Uma empresa completa viu, não é igual o bar do seu bairro que o dono não lava nem o copo que te serve aquela bebida duvidosa...
Seguindo o nosso padrão, abaixo de cada jornal, estará um breve resumo, mas lá no final farei uma análise geral.
Bora
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| O Globo 24.5.70 |
Sobre 1969
O capital social da companhia era NCr$ 274.023.080,00.
O lucro líquido do exercício (período de sete meses findo em 31 de janeiro de 1970) foi de NCr$ 1.280.872. O relatório observa que este resultado foi alcançado após a absorção de prejuízos acumulados de períodos anteriores.
As vendas globais em 1969 foram 30% superiores às de 1968.
Setor de Passageiros: O aumento foi de 75% em relação ao ano anterior, consolidando a aceitação dos modelos Ford no mercado brasileiro.
Incorporação da Ford Motor do Brasil S.A.: Realizada em 1º de outubro de 1969, unificando as operações e instalações.
Unificação das redes de revendedores Ford e Willys, criando uma das maiores redes do país.
Criação do Centro de Treinamento de Marketing para treinar pessoal de vendas e assistência técnica.
Menção ao sucesso do Consórcio Nacional Ford, que atingiu o objetivo de 10.000 veículos vendidos.
Corcel: Citado como o "grande sucesso", ganhou novas versões (4 portas e o modelo GT). O relatório destaca o Corcel GT por suas características esportivas. Foi lançada a versão Belina (perua Corcel) em março de 1970.
Galaxie: A linha foi ampliada com o Galaxie 500 e o Ford LTD, este último posicionado como o carro mais luxuoso da linha, equipado com transmissão automática.
Novo depósito central de peças e acessórios em São Bernardo do Campo (35.000 m²).
Investimentos em novas máquinas e equipamentos para aumentar a capacidade da linha Corcel.
A empresa demonstra forte interesse na Associação Latino-Americana de Livre Comércio, visando o intercâmbio de peças e veículos com outros países do continente.
Implementação do "Programa de Qualidade Assegurada" junto aos fornecedores de autopeças.
A empresa descreve uma recuperação financeira. Após um período de prejuízos herdados da fase pré-incorporação, a companhia atingiu o equilíbrio e passou a gerar lucro. O índice de liquidez corrente é apresentado como robusto para suportar os planos de expansão.
Não encontrei o de 1971 falando sobre 1970....
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| O Globo 25.5.72 |
Sobre 1971
Capital Social Cr$ 357.431.211
Lucro Líquido Cr$ 72.161.258.
A empresa apresenta uma situação sólida de crescimento. O relatório destaca que o faturamento bruto atingiu Cr$ 2.300.000.000, um aumento de 32% em relação ao ano anterior. O Ativo Total somava Cr$ 1.554.248.834.
Venda de Veículos
Indústria de Automóveis (Total Brasil):343.300 (1970) para 431.800 (1971) — Alta de 25,6%.
Ford (Automóveis): 53.900 mil (1970) para 70.700 mil (1971) — Alta de 31,3%.
Caminhões (Total Brasil): 73.600 mil (1970) para 79.100 mil (1971) — Alta de 7,5%.
Ford (Caminhões): 22.000 mil (1970) para 25.000 mil (1971) — Alta de 13,8%.
Total de Veículos Ford: 95.700 mil unidades vendidas em 1971 (alta de 26,2% sobre 1970).
Cresceu mais que a média nacional.
Corcel: Citado como o líder de vendas da linha. O relatório menciona o lançamento do Corcel GT e mudanças estilísticas que mantiveram a aceitação do público.
Maverick: O documento anuncia o "Projeto Maverick" como o futuro lançamento para o mercado brasileiro, com previsão de produção para o primeiro semestre de 1973, visando o segmento de carros médios.
Galaxie: Referenciado dentro da linha de luxo, mantendo sua posição de prestígio no mercado nacional.
Caminhões: Menção à nova linha de caminhões lançada em julho de 1971, com destaque para a aceitação dos novos modelos.
Fábrica de Taubaté: O relatório destaca a construção da Fábrica de Motores em Taubaté, descrita como um projeto de grande envergadura que permitirá à Ford exportar motores para outros mercados, incluindo os EUA e a Europa, além de suprir o mercado interno.
Programa de Expansão: Foco na modernização de instalações e equipamentos para atender à demanda do "Projeto Maverick".
A situação financeira permitiu a realização de investimentos na ordem de Cr$ 138 milhões apenas em 1971. O relatório enfatiza que a Ford-Willys estava em uma fase de "auto-suficiência financeira" para suportar o seu plano de expansão, recorrendo a financiamentos externos e internos apenas para projetos de longuíssimo prazo, como a nova Fábrica de Motores.
A diretoria expressou total confiança na continuidade do crescimento, citando que a empresa estava preparada para os desafios de um mercado automobilístico cada vez mais competitivo, apoiada em uma estrutura financeira saneada e em produtos com alta aceitação (Corcel e a futura linha Maverick).
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| O Globo 28.5.73 |
Sobre 1972
Capital Social Cr$ 607.019.220,70.
Venda de 123.400 unidade de automóveis e caminhões.
Lucro Líquido de Cr$ 91,9 milhões
A Ford manteve uma fatia de 20,2% do mercado total de veículos no Brasil.
O relatório menciona a consolidação da Philco-Ford no grupo, fortalecendo a base tecnológica.
Aumento da rede de revendedores para garantir assistência técnica em todo o território nacional.
A estratégia de produto focou na diversificação para cobrir diferentes segmentos de renda e utilidade: Fortalecimento da linha de utilitários e caminhões (Série F).
Foco em veículos com maior valor agregado e tecnologia.
Corcel: Citado como o "carro-chefe" de vendas da Ford.
Maverick: O relatório destaca os preparativos finais para o lançamento do Maverick no Brasil, posicionado para preencher a lacuna entre o Corcel e o Galaxie.
Galaxie / LTD: Continuaram a representar o segmento de luxo e prestígio, mantendo vendas estáveis dentro de seu nicho de mercado.
A unidade de Taubaté foi designada para a produção de motores modernos (o motor 2.3L OHC).
Grande parte do plano de expansão foi destinado a esta planta para torná-la um centro de exportação de motores para mercados mundiais, incluindo os EUA.
Construção da fábrica de motores em Taubaté, modernização das linhas de montagem em São Bernardo do Campo e ampliação da capacidade de fundição.
A empresa apresentava uma situação financeira robusta e em expansão:
Ativo Total: Cr$ 2.943.910.604.
Patrimônio Líquido: Cr$ 810.707.940.
Liquidez: O relatório destaca uma gestão de caixa eficiente, apesar das pressões inflacionárias da época, com forte reinvestimento dos lucros para suportar o crescimento físico.
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| O Globo 25.5.74 |
Sobre 1973
O capital social da companhia é de Cr$ 607.616.228,70
O lucro líquido após o imposto de renda foi de Cr$ 234.400.000
Venda de 148.900 unidades de automóveis e caminhões, o que representou um aumento de 21% em relação ao exercício anterior.
O exercício de 1973 é descrito como um ano de "crescimento sem precedentes" para a indústria automobilística brasileira.
O relatório menciona a introdução de novos modelos e a constante atualização tecnológica para atender à demanda crescente e às exigências do mercado.
Corcel: Continuou sendo o líder de vendas da companhia, mantendo sua posição de destaque no mercado de carros médios/pequenos.
Maverick: Lançado em 1973, o relatório destaca que o veículo teve "excelente aceitação"
Galaxie (e LTD): Mantiveram-se na liderança do setor de carros de luxo, consolidando a imagem de prestígio da marca.
A Fábrica de Taubate iniciou suas operações de exportação de motores para os Estados Unidos e Europa, como parte de um programa de exportação de longo prazo.
O quadro de funcionários da Ford Brasil elevou-se de 17.100 para 20.400 empregados durante o exercício.
A empresa investiu em imobilizações (expansão de fábricas, novas máquinas e equipamentos).
Grande parte desses recursos foi destinada à conclusão da fábrica de motores de Taubaté e à modernização das linhas de montagem em São Bernardo do Campo e Ipiranga.
Tratores: A Ford iniciou o planejamento para a produção local de tratores agrícolas em São Bernardo do Campo, visando o mercado agrícola brasileiro.
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| O Globo 26.4.75 |
Sobre 1974
Capital Social Cr$ 607.414.228
Lucro Líquido: Cr$ 72.822.369
Em 31-01-75 a Ford Brasil possuía 21.000 empregados.
As vendas totais do último exercício atingiram a cifra recorde de 176.200 unidades de automóveis e caminhões.
A empresa atingiu níveis recordes de produção e vendas, com faturamento líquido de Cr$ 6.487.342.976.
O relatório menciona que, apesar da crise internacional do petróleo e do aumento de custos, a empresa manteve o ritmo de crescimento e investiu na nacionalização de componentes.
Corcel: Citado como o líder de vendas da empresa, mantendo sua posição de destaque no mercado nacional.
Maverick: Mencionado no contexto de consolidação da linha e aceitação pelo público.
Galaxie: Referenciado como o veículo de luxo da linha, mantendo seu prestígio.
Fábrica de Taubaté: Inaugurada em junho de 1974. No período relatado, já havia produzido 72.000 motores, com parte significativa destinada à exportação.
Fábrica de Ipiranga: Menciona-se que os caminhões e tratores continuam sendo produzidos nesta unidade, com novos investimentos em modernização.
Foco principal: Expansão da capacidade produtiva, novos equipamentos para a fábrica de motores de Taubaté e desenvolvimento de novos produtos.
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| O Globo 29.4.76 |
Sobre 1975
Capital Social Cr$ 610.616.400
Lucro Líquido Cr$ 115.812.000 após a constituição de provisões para imposto de renda e reservas.
Foram vendidos 172.600 automóveis e caminhões.
A empresa apresenta uma posição sólida, com um Ativo Total de Cr$ 5.071.833.000. Apesar do aumento de 41,4% nas despesas operacionais devido à inflação e custos de expansão, a Ford Brasil manteve rentabilidade, com um patrimônio líquido (Não Exigível) de Cr$ 1.357.518.000.
Corcel e Maverick: O relatório cita que as vendas desses modelos continuaram firmes, com o Corcel mantendo sua posição de destaque no mercado.
Galaxie 500 e Ford Galaxie LTD: Lançados no mercado durante o exercício, tiveram "excelente receptividade".
Caminhões e Utilitários: O texto menciona que os modelos F-4000 e outros utilitários ajudaram a consolidar a posição da marca.
A nova fábrica de motores e fundição em Taubaté completou seu primeiro ano de operação.
Produziu mais de 170.000 motores de 4 cilindros, destinados majoritariamente à exportação.
Uma nova fábrica de tratores estava em fase de conclusão em São Bernardo do Campo, com previsão de iniciar produção em meados de 1976, com capacidade para 15.000 tratores por ano.
A empresa manteve "substanciais programas de investimentos", focados na modernização de linhas de produtos e expansão da capacidade produtiva (especialmente em tratores e motores para exportação).
Em 31 de janeiro de 1976, a Ford Brasil S.A. contava com aproximadamente 22.000 colaboradores.
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| O Globo 19.5.77 |
Sobre 1976
Capital Social Cr$ 616.605.000.
O lucro líquido do exercício foi de Cr$ 112.440.000.
Venda de automóveis e caminhões 168.100 unidades.
Participação de mercado: 19% da produção nacional de veículos.
Exportações: Cr$ 51 milhões (em dólares FOB), com destaque para o envio de 119.927 motores de 4 cilindros e 157.584 em componentes fundidos de motores.
Aumento das pressões inflacionárias sobre custos de materiais e mão de obra.
Destaque para o programa de exportações da empresa (BEFIEX).
Distribuição de dividendos: Cr$ 112.440.000 (totalidade do lucro líquido).
21300 empregados.
Corcel: Citado como tendo enfrentado um mercado difícil devido à demanda contida por gasolina; o relatório menciona que as vendas se mantiveram "em níveis favoráveis" dada a economia do modelo.
A empresa apresenta uma posição de liquidez estável, apesar do cenário econômico desafiador (crise do petróleo e inflação). O Ativo Total é de Cr$ 12.022.020.000. O passivo circulante é alto (Cr$ 3.118.832.000), refletindo as operações de curto prazo e obrigações com fornecedores.
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| O Globo 24.5.78 |
Sobre 1977
Capital Social Cr$ 797.959.000,00
O exercício encerrado em 31 de janeiro de 1978 apresentou um Prejuízo Líquido de Cr$ 272.500.000,00 que somado ao do exercício anterior, atinge o montante de Cr$ 425.500.000,00 em prejuízo acumulado.
A empresa contava com 19.700 empregados em 31 de janeiro de 1978.
Foram comercializados 129.700 unidades no mercado interno, representando 15% do mercado brasileiro.
Foram exportados 138.071 motores 4 cilindros.
O relatório destaca uma mudança significativa na estratégia de produtos devido à crise do petróleo e à demanda por economia:
Corcel II: Citado como o "principal evento" do exercício. Lançado em novembro de 1977, foi redesenhado para oferecer maior economia de combustível, espaço interno e segurança. O relatório afirma que o modelo teve aceitação "excepcional".
Maverick: Passou a ser produzido em 7 versões diferentes de acabamento, constituindo-se na mais completa linha de automóveis produzidos no país. Incluído novo cambio automático para o motor 4 cilindros.
Galaxie: chegou aos 10 anos de produção com mais de 63.000 unidades produzidas.
Caminhões: A linha de caminhões leves e pesados manteve sua participação de mercado, com destaque para os modelos F-100, F-350, F-400, F-700, F-750, F-2000 e F-4000.
Produção da Fábrica de Taubaté
O relatório menciona a conclusão das instalações de Taubaté, que permitiu à empresa atingir a autossuficiência na produção de motores.
A empresa enfrentou um ano desafiador, classificado no texto como um período de "transição e ajustamento".
Rentabilidade: O prejuízo de Cr$ 272,5 milhões é atribuído ao aumento dos custos de matéria-prima e componentes, que não puderam ser totalmente repassados aos preços de venda devido ao controle de preços oficial (CIP).
Endividamento: O balanço mostra um passivo circulante de Cr$ 5.228.651 (milhares) e exigível a longo prazo de Cr$ 1.583.451 (milhares).
Perspectiva: Apesar do resultado negativo, a administração ressalta a solidez da empresa e a confiança no novo Corcel II para recuperar a rentabilidade.
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| O Globo 25.4.79 |
Sobre 1978
Capital Social: Cr$ 362.708.036,00
Lucro Líquido: Cr$ 1.658.700 (em milhares de cruzeiros) para o exercício encerrado em 31/01/1979.
O relatório descreve um "significativo progresso" e "resultados satisfatórios". No entanto, o texto menciona que o capital circulante líquido foi afetado por investimentos em ativos fixos e aumento de estoques.
Vendas Totais: 160.053 unidades vendidas no mercado interno, representando 15,9% de participação do mercado.
Fábrica de Taubaté: O relatório destaca que a fábrica de motores de Taubaté atingiu a marca de 500.000 motores produzidos desde sua inauguração. Em 1978, a produção foi de 138.647 motores, sendo a maioria destinada ao mercado externo.
A Ford construiu o maior stand dos ultimos anos no Salão do Automóvel de 1978.
Corcel II: Atingiu 100.000 unidades vendidas em 10 meses.
A empresa encerrou o período com 21.536 empregados
O texto cita dificuldades com o aumento do custo de matérias-primas e componentes, além do controle de preços exercido pelo governo (CIP).
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| O Globo 21.5.80 |
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| O Globo 21.5.80 |
Sobre 1979
Capital Social: Cr$ 362.708.838,00
Lucro Líquido: Cr$ 668.383 mil no exercício de 1979 (comparado a Cr$ 1.658.735 mil em 1978).
O documento menciona um quadro de 20.800 empregados.
Produção e Vendas de Veículos: 171.042 unidades vendidas
Participação de Mercado: A empresa encerrou o ano com 16,5% de participação no mercado, que é o maior indicie desde 1976.
Corcel II: 104.500 unidades (líder no segmento de carros médios).
Caminhões: 24.300 unidades.
Exportações: As vendas para o exterior totalizaram US$ 159 milhões (FOB), representando um aumento de 42% em relação ao ano anterior.
Detalhes sobre Produtos e Modelos
Corcel: Citado como o "carro mais vendido do Brasil" em sua categoria, com destaque para o lançamento do Corcel II a álcool em 1979.
Primeiro ano do Campo de Provas em Tatuí-SP
A empresa apresentou uma redução no lucro líquido em comparação a 1978, atribuída ao controle de preços pelo governo e à elevação dos custos de matéria-prima e mão de obra.
A rentabilidade foi afetada pela maxidesvalorização do Cruzeiro em dezembro de 1979.
Crise de Energia: O relatório enfatiza a rápida adaptação da Ford ao Proálcool e a transição para veículos mais econômicos.
O texto menciona que os resultados foram impactados por paralisações trabalhistas no setor metalúrgico do ABC paulista durante o ano.
A Ford adiantou em 3 anos o cumprimento das metas de exportação em conjunto com o Befiex.
Minha análise:
Em resumo, no 10 anos analisados, a Ford no Brasil mudou de nome, mudou a presidência, passou a produzir tratores, lançou um carro novo e desenvolveu outros 2, construiu uma fábrica de motores e entrou de cabeça nas exportações, entrou nas competições de várias categorias. Nos EUA houveram muitas mudanças, as principais foram a demissão do Lee Iacocca e a aposentadoria do Henry Ford II que consequentemente desencadearam mudanças gerais na empresa em termos de cargos, estratégias e mercado.
O mundo automotivo passaria novamente por uma atualização de estilo e também seria atacado duramente pela Crise do Petróleo.
No Brasil aconteceu o Milagre Brasileiro e também o seu fim, levando com ele tudo o que havia-se conquistado e deixando o país no vermelho.
Sim, o mundo não girava em torno do Maverick como alguns gostam de pensar.
De qualquer forma, como vimos, a Ford comemorou a fusão com a Willys Overland, tinha um projeto à por em prática que a tornaria uma empresa com um completa linha de veículos. A Ford realmente investiu no Brasil.
As vendas foram crescendo, o projeto foi saindo do papel, as coisas andavam bem.
Em 1973, com a chegada do Maverick, a Ford passou a oferecer a linha mais completa de veículos no Brasil. As vendas continuaram subindo e as contas estavam em dia.
A Fábrica de Motores em Taubaté ficou pronta em 1974, dentro do seu cronograma, exportando sua produção e gerando empregos. A partir de então, a Ford passa a expressar sua incerteza do cenário econômico mundial (Crise do Petróleo), mas mantém o compromisso de continuar com o plano inicial de investir no Brasil.
A Fábrica de Tratores ficou pronta em 1975 e, por mais que a Ford estivesse expandindo suas estruturas e cumprindo sua programação, nesse ano as vendas tiveram resultado um pouco menor que o ano anterior. A linha de caminhões a gasolina e de veículos utilitários puxaram os indicadores para baixo.
As preocupações da Ford aumentaram nesse ano. O Governo brasileiro estava lidando com a Crise, mas as coisas não estavam indo bem para a indústria automotiva de modo geral. A Ford prometeu continuar investindo e acreditar no vigor da economia brasileira.
Em 1976 teve início a produção dos Tratores. O motor 4 cilindros que já havia sido instalado no Maverick, chegava a toda linha de utilitários, assim como um transmissão nova para o Corcel. Uma nova linha de caminhões Diesel também foi incorporada. Vemos que foram atitudes tomadas de acordo com o que foi identificado como ponto de melhoria no ano anterior. As exportações dos motores 4 cilindros e outros componentes estavam indo muito bem. As vendas caíram um pouco mais, refletindo a situação do mercado geral brasileiro. A preocupação da Ford permanece ao ver que os esforços do governo não tiveram o efeito esperado.
A Ford atingiu o auge da sua linha de produtos em 1977 com boas vendas do Galaxie, o novo Corcel, novos modelos para o Maverick e uma série de opções para a linha de caminhões. A Ford recebeu um prêmio por suas exportações. As vendas caíram muito e a situação financeira deixou de ser favorável.
Entre 1974 e 1976, a produção automotiva nacional cresceu pouquíssimo e em 1977 ela caiu. O que acontecia com a Ford, era o reflexo do mercado nacional.
1978 foi melhor, as vendas tiveram boa recuperação. Sua linha de produtos passava por modificações visando economia de combustível. A fábrica investia em proteção a corrosão da carroceria. O Corcel II bateu recorde de venda atingindo 100.000 unidades em apenas 10 meses, sendo o principal responsável pelo aumento das vendas da companhia. A F4000 tornou-se líder de mercado. Concluiu-se a primeira etapa da construção do campo e provas de Tatuí. Nesse ano aconteceu a troca da presidência da Matriz e da filial brasileira. Aparentemente, a Ford "acostumou-se" com a situação e continuava disposta a apostar na recuperação total do mercado.
Em 1979, deixou o Maverick de lado, focou na produção do Corcel II. Desenvolvimento do Galaxie e Corcel movidos a álcool. O Campo de Provas de Tatuí ficou pronto. F-1000 quase pronta. A F-4000 manteve a liderança no mercado. Os caminhões médio tiveram recordes de venda. As exportações aumentaram o resultado com recorde.
A
meta de 1 bilhão de dólares em exportações de produtos manufaturados, prevista
no Programa Especial de Exportação aprovado pela BEFIEX mantido conjuntamente
com a Philco Rádio e Televisão Ltda., fosse atingida com uma antecedência de
três anos.
No mesmo ano, Henry Ford II se aposentou.
Sob as regras do Conselho Interministerial de Preços, o CIP, as montadoras diminuíram seus lucros pois o governo não aprovava o aumento do preço dos veículos conforme a necessidade das empresas que se baseavam nos custos, que aumentaram demais.
Em 1979 também as greves tiveram início de uma forma que tornaram-se padrão em toda a indústria.
As vendas voltaram ao patamar aceitável e a participação no mercado nacional foi de 16,5%, maior indicie desde 1976.
Muito bem, a Ford passou por dificuldades assim como qualquer outra empresa daquela época. Foi um desafio para toda a indústria atravessar aquele período, que na década seguinte continuou complicado.
A empresa manteve-se firme, mesmo com os reveses. Seguiu o seu cronograma de investimentos e foi se adaptando às necessidades do mercado de forma rápida.
A Ford tinha muitas operações e tentava levar todas elas em frente juntas. Nós acabamos vendo mais a parte dos automóveis, mas todos os departamentos faziam parte da empresa. Não é correto achar que um único produto poderia salvar ou condenar a empresa inteira.
Ao mesmo tempo que a Ford produzia sua linha de produtos, ela construía sua própria estrutura, isso porque ela não tinha tudo pronto para poder executar seu plano de produzir motores, tratores e tudo mais. As energias e recursos da montadora estavam divididas em todas as suas operações.
Esse material que analisamos é na verdade a Ford falando da própria Ford, de modo responsável e coerente.
Você viu que a Ford não foi relapsa, lenta ou passiva quanto ao que acontecia. Viu que a empresa não quebrou, viu também que ela tinha muitas frentes para cuidar, viu que analisar uma empresa não tem nada a ver com analisar um produto dela.
Muitas, mais muitas perguntas não podem ser respondidas com apenas SIM ou NÃO. Esse assunto tem sido resumido de tal forma que se perdeu completamente. Isso é uma pena.
Alguns acham que eu defendo a Ford ou o Maverick.... Eu defendo os fatos e a coerência entre eles. Como poderia eu dizer algo diferente do que foi notícia? Muita gente faz isso, mas isso é um problema que eu não tenho.
Como falei no começo, essa é uma pesquisa necessária para em breve poder falar com mais detalhes de como o Maverick fazia parte de tudo isso. Aguardem...
Lembre-se: Analisamos O QUE ACONTECEU e não como nós GOSTARÍAMOS QUE ACONTECESSE. Opinião não muda Fato.
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