O Bob Sharp é um piloto e jornalista do mais alto nível. Uma pessoa serena e muito profissional. Eu não tenho condições de falar sobre toda a sua carreira aqui, mas tem uma parte dela que é muito interessante e importante para o automobilismo nacional, envolvendo o Maverick, é claro.
Há 3 anos entrei em contato, o convidando para uma entrevista, mas eu entendo que a rotina de uma pessoa desse nível é muito apertada e até hoje não deu certo.
De qualquer forma, cheguei num ponto das pesquisas que preciso falar desse assunto para meio que fechar as pontas e ligar todos os pontos.
De acordo com o que pesquisei, o Bob Sharp foi o responsável por desencadear a criação do que veio a ser o Opala 250-S, mas também, alguns meses depois, ele foi correr com o Maverick Quadrijet, que foi a reposta da Ford ao avanço da Chevrolet.
Do ponto de vista do Maverickeiro, o Bob foi um vilão e um herói e essa é parte da história que precisamos falar aqui.
Mas tenha o pé no chão, nós vamos analisar o nascimento de dois grandes carros e como isso passou pelas mãos da mesma pessoa. Nada de fazer julgamento pessoal ou qualquer outra coisa do tipo. Certo?
Antes, é essencial que você saiba o contexto desse assunto. Veja aqui a pesquisa que mostra o início da temporada de 1974, e também essa outra pesquisa que mostra onde tudo explodiu: as 25 Horas de Interlagos de 1974.
Sem esse conhecimento, você não vai entender praticamente nada do que veremos daqui pra frente.
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| Auto Esporte 7.73 |
Uma outra coincidência que deve ser dita, é que a primeira matéria do Bob Sharp como jornalista, foi justamente o primeiro teste do Maverick brasileiro na revista Auto Esporte.
Imagina que legal né, mas duvido que alguém imaginava o que estaria por vir...
Bom, em 1973, o Maverick venceu todas as corridas, deixando o Opala completamente para trás. Foi o fim da farra do Opala, que sozinho, sempre chegava na frente. O Maverick era um adversário bem mais avançado e mostrou isso na pista.
Foi então que na temporada de 1974, o Bob Sharp, que corria de Opala, apresentou uma configuração diferente, mais potente do que a que era vendida ao público geral, o que causou muita discussão.
1º Episódio:
31/03/1974 - 1000 KM de Brasília.
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| O Cruzeiro 27.3.74 |
SSR, foi o primeiro nome que deram para o 250-S.
O Bob Sharp aparece com o carro lá para correr, mas....
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| Correio Braziliense 31.3.74 |
Tinha tudo pra dar errado pra ele...
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| Quatro Rodas 4.74 |
Veja só, a princípio achavam que o Opala do Bob Sharp andava mais por ter maior cilindrada, que era proibida pela Divisão 1. Mas ele mesmo explicou a configuração mecânica daquele motor, que não foi aceita pela direção de prova. Ele só participou da corrida porque trocou de motor.
O Bob Sharp usou um discurso forte para mostrar que o que fazia era o correto, mas não era assim que as coisas funcionam.
Ele foi o primeiro a aparecer na pista com um carro fora do regulamento querendo correr.
A Ford nada fez.
2º Episódio:
25/05/1974 - Largada das 25 Horas de Interlagos
Como da primeira vez não deu certo tentar participar da corrida apenas com palavras, um dia antes, na sexta feira 24 de maio de 1974, é apresentado esse documento:
Endereçada ao Bob Sharp, o anúncio da Chevrolet que o motor 250-S era um item de fábrica.
Isso queria mostrar que se é de fábrica, então pode ser utilizado na corrida. Foi mais uma tentativa de forçar a participação de um carro fora do regulamento.
Além disso... veja só:
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| Jornal do Brasil 29.5.74 |
Foi o juiz Evandro Gueiros que concedeu uma liminar para que o Bob Sharp e o seu Opalas 250-S pudessem correr nas 25 horas de Interlagos. O advogado Eduardo Spinola "justificou" o 250-S, atacando o V8 do Maverick .
Ahhh o sofisma...
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| Auto Esporte 7.74 |
Trocando em miúdos, o organizador da prova e quem manda nas corridas, proibiu o 250-S, mas a justiça comum interferiu e permitiu que eles participassem da prova.
Foi a primeira vez que a justiça comum foi acionada num casso esportivo no Brasil.
A corrida terminou com o Opala na frente, um Maverick em segundo e Bob Sharp e seu Opala ficaram em terceiro.
Qual desfecho você acha que isso teria?
| A Tribuna 28.6.74 |
Os 4 Opalas 250-S foram desclassificados.
A vitória ficou com um Maverick.
Realmente não estava fácil para o Opala, não ganhava na pista e nem fora dela.... O Bob Sharp tentou de tudo e, por mais talentoso que fosse, o carro não podia fazer frente ao Maverick.
Do ponto de vista "Maverick", o Bob Sharp foi um vilão que aterrorizou o nosso sono, criando uma forma de nos vencer. Que homem atentado! rsrsr
Acontece que após toda essa bagunça nas regras e tal, o Opala 250-S e o Maverick Quadrijet foram homologados e começava mais uma etapa para o automobilismo brasileiro.
O Bob Sharp não teve envolvimento com o nascimento do Maverick Quadrijet, mas por criar o 250-S, ele deu o ponta pé inicial para o nosso campeão das pistas.
Mas o Bob estava para viver dias muito melhores..... e nós maverickeiros também.
3º Episódio:
28/07/1974 - As 12 Horas de Goiânia
Todos esse acontecimentos foram em sequência. As 3 corridas aconteceram uma após a outra.
Bom, foi a primeira corrida entre Opala 250-S e Maverick Quadrijet. Era como se o placar tivesse zerado e tudo poderia acontecer. Muita expectativa para essa disputa foi criada.
O que será que o Bob Sharp faria dessa vez para ganhar uma corrida?
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| Jornal da Orla 28.7.74 |
Realmente uma bomba! Agora o Bob Sharp é nosso!
Ihhuuuullllll !!!!!!!!!!!!!!!!
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| Diário da Manhã 30.7.74 |
E ele venceu!!!!!
Eu amo as peças publicitárias da Ford!
Olha só, Maverick do 1º ao 5º lugar!!!!!!
Foi realmente o fim da discussão. O único carro que poderia fazer frente ao Maverick, era outro Maverick.
O Bob Sharp fez a escolha certa, equipe e carros vencedores. Agora sim toda sua pilotagem exímia teria o efeito real, num carro que podia entregar o que ele precisava.
Sem ir atrás de advogado, papelada ou bateção de boca...
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| Correio do Braziliense 12.8.74 |
A próxima corrida era só em outubro, mas os jornais continuaram falando da nova aliança entre o Bob Sharp e o Maverick
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| Gazeta do Povo 18.8.74 |
Que legal! É isso galera!
Bob Sharp e Luiz Antonio Greco já se admiravam e juntos ficaram ainda mais fortes!
Ele se tornou um herói para os Maverickeiros e tem o nosso total respeito.
A maior rivalidade do automobilismo dos anos 70 passou pelas mãos do Bob Sharp. Desenvolveu o 250-S e foi correr de Quadrijet. Olha só que posição ele ocupou!
Somente uma pessoa equilibrada, de respeito e profissionalismo poderia encarar um papel desse.
O Bob Sharp ficou com o Greco e o Maverick até 1976.
Em 1976, 250-S e Quadrijet foram banidos das pistas e o Bob Sharp correu com o V8 302 normal, sendo campeão da Divisão 1 e na Divisão 3.
Do seu primeiro contato com o Maverick, por meio da reportagem da revista, ele chegou a pilotas todas as configurações de Maverick possíveis: 4 cilindros, D1 Quadrijet, D1 302 V8 e D3.
Resumindo, o Bob Sharp não venceu de Opala, criou o Opala 250-S, foi desclassificado da única corrida que fez com ele e só conseguiu vencer quando foi andar de Maverick Quadrijet.
De onde veio o 205-S?
Eu fiquei intrigado quanto a origem da receita para o 4100 e fui pesquisar.
Na argentina tinha o Chevy Coupe com o mesmo motor do Opala. No final de 1973, (período que o Maverick já tinha passado a régua no Opala nas pistas) foi introduzido melhorias que elevaram sua potência para 170 cavalos (SAE). O carro passou a se chamar Chevy 250 Serie 2.
A principio achei que era a mesma modificação, mas nesse caso, eles só trocaram carburador e o coletor de admissão.
Depois encontrei numa revista Quatro Rodas de 1971, algumas receitas de envenenamento para o Opala. Eles mostravam como deixar o Opala com até 300 cavalos, mas nenhuma receita era identifica ao que se tornou o 250-S.
Em 1974 havia muito, mas muito conhecimento sobre preparação para o Opala.
Eu considero o 250-S uma modificação "única", que pode ter se inspirado, mas que não copiava as outras.
- Outra coisa que me intriga é que não encontrei nenhum jornal dizendo que o 250-S tinha se tornando um item de fábrica e que poderia ser comprado ou adquirido separadamente como o Quadrijet. Nada, é como se ele nem tivesse existido. Ele foi anunciado apenas no modelo 1976 e muitos dos Opaleiros nem sabem que em 1974 ele já corria. Ora, mas se ele não era de fábrica, como pode ter sido homologado? Tem alguma coisa faltando nesse quebra cabeças...
De onde veio o Quadrijet?
Bom, os motores V8 possuem um gama enorme de peças de fábrica e do mercado de alta performance. A Shelby além de fabricar partes, também vendia itens da Holley, por exemplo.
Acredito que a receita do Quadrijet foi criação do Luiz Antonio Greco, embora seja o básico para fazer um carro andar mais: Mais combustível, mais compressão e tempo das válvulas abertas.
O mais importante de tudo é que nós tivemos essa briga de engenharia aqui no Brasil. numa época que Maverick e Opala fizeram as fábricas olharem um pouco mais para as corridas.
Quem ganhou fomos nós, o clientes.
E o grande Bob Sharp! Herói do Opala, do Maverick do automobilismo.... É impressionante como essa história se desenrolou. Daria até um filme!
Assista ao próprio Bob Sharp falando daquela época:
O Bob também já escreveu sobre essa passagem. Leia aqui.
E é isso!
Bob Sharp, parabéns e obrigado por toda sua trajetória, você é realmente o nosso herói!
Ford Abraço!
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