quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Maverick Berta-Hollywood – Temporada de 1974

Estamos de volta com a segunda parte da História do Maverick Berta-Hollywood. Recomendo que você leia a primeira parte (aqui) antes de continuar.
Bom, vimos a trajetória do Maverick D1 da Equipe Hollywood até se tornar o incrível Maverick Berta-Hollywood D3 no ano de 1974. Agora vamos acompanhar sua estreia, apresentação e vitórias além de conhecer um pouco mais sobre o Oreste Berta.


Diário do Paraná 28.7.74

Essa matéria confirma que Luiz Pereira Bueno tinha ido à Argentina testar o Maverick. 



O Cruzeiro 31.7.74 
A expectativa era que a estreia do carro já fosse nessa corrida, a primeira do campeonato.


O Estado de S. Paulo 8.8.74
O Maverick Berta-Hollywood não ficou pronto a tempo de correr em Goiânia, mas dessa vez não passaria. Sua estreia ia acontecer em Cascavel – PR.
Folha de S. Paulo 10.8.74

Aqui temos um ficha técnica do Berta-Hollywood:

Motor V8 302, refrigeração a água, cárter seco, alimentação por 4 carburadores de corpo duplo, sistema elétrico de ignição, cambio de 4 marchas, diferencial original, freios a disco nas 4 rodas, suspensão original, direção tipo cremalheira, embreagem multidisco seco hidráulica, comando hidráulico do acelerador, 2 tanques de gasolina (60 litros cada), instrumentos de bordo Smiths, rodas de liga leve e cubo rápido com aro de 15 e 11 polegadas de tala na dianteira e aro 15 e 14 polegadas de tala na traseira.

Ainda não tive a honra de ver esse carro pessoalmente, mas ler as características dele já é o suficiente para eu ficar impressionado. Vejam, é fácil encontrar Maverick com tala 10 na traseira. É muito bonito, preenche toda a caixa de roda. O Berta-Hollywood, tinha tala 11 na dianteira! É realmente um monstro!!!


Retirada da internet. Não tenho a fonte precisa
Primeira foto que vemos do Maverick Berta-Hollywood pronto.
Feio? Bonito? Veloz!


Jornal dos Sports 11.8.74
Chegou o momento! É a estreia do Maverick Berta-Hollywood.
Vale lembrar que nenhum Maverick havia participado na D3. Por isso que o jornal diz que o Berta-Hollywood seria o primeiro veículo a fazer frente aos Opalas.


Quatro Rodas 9.74

Quatro Rodas 9.74

Quatro Rodas 9.74
Tite Catapani venceu a primeira bateria e andou com sobra o tempo todo. Na segunda bateria um pneu furou e o atrasou por 4 voltas, terminando a prova em 6º.

A matéria diz que o Bera-Hollywood foi sem dúvidas o melhor carro da corrida.
Vemos que o carro não estava totalmente pronto para corrida, faltava: bancos (?), retirada de forro das portas, substituição dos vidros por acrílico e etc.

Um fato importante e curioso. O pedido era de pneus Goodyear tala 11 e 14, mas foram entregues pneus Firestone de medidas diferentes.
Coincidência ou não, foi um pneu traseiro furado que o fez perder a corrida.

Antes vimos que o câmbio era original; o que dá para entender que seja original do Maverick, mas agora lemos que o câmbio era do Torino argentino. 

Foram 4 meses e meio para o carro ficar pronto. Começou em abril de 1974 então.
Foram mais de 200.000 cruzeiros para fazer o Maverick Berta-Hollywood!
Anísio Campos garante que seu carro foi construído dentro do regulamento. Explica que foram instaladas molas helicoidais na traseira e no lugar do feixe de molas, laminas de acrílicos foram aplicadas.
Os freios são os mesmos dos Formula 1 Berta-Tornado.
Possui cabeçotes Gurney & Eagle modificados, 4 carburadores Weber 48mm, coletores de admissão, comando de válvulas e bomba d’agua desenvolvidos pelo Oreste Berta. Faz aproximadamente 2km/l a 5.000, 5.2000 rpm.
Tem carter seco, bomba trilpa Avid, sistema elétrico com ignição eletrônica Speedatron, distribuidor Dubelco

Um carro impossível de ser copiado.

O Cruzeiro 28.8.74
Foi uma corrida levada a sério, mas com uma expectativa primeiramente em saber como o carro se comportaria. O resultado foi muito bom.


Folha de S. Paulo 21.8.74
Chegada ao Sudeste.
Oreste Berta em pessoa estava em Interlagos para acompanhar os testes do Maverick e depois daria uma entrevista.

O Estado de S. Paulo 24.8.74
Mesmo com problemas de pneu, freio e pressão de combustível, o Maverick Berta-Hollywood pilotado pelo Peroba, Luiz Pereira Bueno, quebrou o recorde oficial da D3.

Impressionante!

Na mesma noite dos testes, 23/08/1974, aconteceu a coletiva de imprensa com Oreste Berta.
Ele disse que os testes foram satisfatórios por ser a primeira vez do carro na pista de Interlagos e pelos problemas que aconteceram. Em situações normais ele acredita que o carro pode baixar o tempo em 5 segundos.
Oreste Berta tinha 35 anos de idade e 10 deles dedicados ao automobilismo.

Ele voltou para a Argentina no dia seguinte, mas já disposto a voltar.



Jornal do Brasil 28.8.74
Vejam por dentro!
É como a revista Quatro Rodas falou. Ainda tinha bastante coisa para retirar e alterar no carro para que se livrasse dos itens de um carro de rua. E eu não vejo nenhum santo antonio por dentro do carro.
Que curioso!

Observação #1: Tanto o forro de porta quanto os frisos da traseira são do Super Luxo.
Vejam, mesmo após sua transformação, preserva a boca de abastecimento pela tampa do porta malas.
Que sensação incrível deve ser entrar nesse carro!

Acho impressionante como o Oreste Berta começou. Preparou motores que venceram a equipe de fábrica. Ele tem um talento e conhecimento enorme!
Ele declarou que o Maverick Berta-Hollywood foi feito com tudo que há de mais moderno para o Grupo 2 da FIA. É um veículo de categoria internacional.
Seu contrato com a Equipe Hollywood é de exclusividade, portanto, Berta não poderá preparar outro Maverick no Brasil.
E não foi fácil, pois ele precisou de uma permissão especial da Ika-Renualt para fechar com a Hollywood.
Berta disse ainda:
- Fizemos um motor em 1º estágio de preparação visando a durabilidade. Reduzindo sua vida em 10 vezes, poderíamos ter conseguido outros 70 hp.

Já pensou!?
88 hp por litro + 70hp = 510hp!

Correio Braziliense 2.9.74
 A coletiva aconteceu durante um coquetel oferecido pela Caltabiano Veículos.
O motor do D4 seria igual ao do Maverick. Portanto, no mínimo existiram 2 motores como esse.
Retirada da internet. Não tenho a fonte precisa
Essa foto é com certeza do mesmo dia da coletiva de imprensa. Somente o emblema “MAVERICK” do paralama que não ficou nítido. Sou péssimo com fisionomias, mas reconheço o Oreste Berta. É o de camisa estampada.
Vejam o interior do carro.
Tinha mesmo banco do passageiro

Será que foram removidos? Será que o banco do piloto permaneceu o original? Será que o carro era inteiro de lata? 


Folha de S. Paulo 29.8.74
Bom, mas queremos ver corrida também!
São os 500KM de Interlagos. Prova considerada a mais veloz da América do Sul, acontece no anel externo de Interlagos.
Tite Catapani com o Maverick Berta-Hollywood é um dos favoritos.


Folha de S. Paulo 31.8.74
 Serão 156 voltas e todos estão ansiosos!

O Estado de S. Paulo 1.9.74
No treino livre, Tite Catapani fez o tempo de 59”8 tornando-se o primeiro piloto a quebrar a marca de 1 minuto no anel externo e Interlagos. É claro, ele estava pilotando o Maverick Berta-Hollywood.
No treino oficial ele garantiu a pole com 3 segundos de diferença para o segundo colocado, o Maverick da Mercantil-Finasa-Ford guiado por Paulo Gomes.
É muita diferença!!! De fato, o Berta-Hollywood era de nível internacional e por melhor que os outros carros fossem, não poderiam chegar nem perto.

O Globo 2.9.74
É claro, o resultado não poderia ser outro!
Vejam só, a diferença para o 2º colocado foi de 13 voltas (156 – 143) e mesmo assim, Edgar Mello Filho, o vice ficou alegre com o resultado. Está certo, ele fez a corrida que tinha pra fazer.
13 voltas na frente... Meu Deus!
Folha de S. Paulo 2.9.74
33 carros iniciaram e só 14 chegaram.

Jornal dos Sports 2.9.74

Folha de S. Paulo 3.9.74
Ele era tão rápido que até as fotos ficavam como um vulto, um fantasma!
Tite Flecha!!!
Quatro Rodas 10.74
Não foram 8 voltas...

Podemos notar que a frente, abaixo da linha de onde ficaria o parachoque recebeu mais duas entradas de ar nessa corrida.

Quatro Rodas 10.74
A revista se confunde algumas vezes com a quantidade de voltas de vantagem que o Maverick abriu. Uma pena, pois infelizmente, muita gente só lê a “manchete” e nesse caso sai má informada.
A primeira foto dá até um desespero! O acidente aconteceu pertinho do Berta.

Folha de S. Paulo 9.9.74
Eu sempre admirei os trabalhos publicitários da Ford. E ela nunca perdia, pois mesmo tendo uma equipe, se outro Maverick vencesse a corrida, é ponto pra Ford. Muito legal!
13 voltas = 42 quilômetros.


Diário do Paraná 29.9.74
Até então foram 2 corridas, mas só se falava no Maverick Berta-Hollywood.
A próxima etapa é em Fortaleza – CE.

Diário de Pernambuco 30.9.74

Folha de S. Paulo 30.9.74

O Estado de S. Paulo 1.10.74

Jornal dos Sports 1.10.74

Diário de Pernambuco 6.10.74

Quatro Rodas 11.74

Auto Esporte 11.74

Auto Esporte 11.74

Auto Esporte 11.74
Aqui podemos ver que o carro tinha o número 11 no teto

Vitória!
Foi de ponta a ponta

Jornal dos Sports 10.11.74
Chegou a vez de Tarumã receber o Maverick Berta-Hollywood. É uma corrida importante e pode decidir o campeonato a favor do Opala.

Folha de S. Paulo 13.11.74
Opa...
O que aconteceu?

Jornal dos Sports 20.12.74
Alguns quesitos foram adicionados no regulamento da prova durante o campeonato? Bem em uma prova onde o mesmo poderia se definir? Porque fariam isso?
O chefe da Equipe Hollywood, Anísio Campos, retirou a inscrição dos seus carros e pediu a anulação da etapa que acabou deixando o título com o Opala de Edgar Mello Filho.

Quatro Rodas 1.75
Olha aí o motivo da discussão:
Na véspera da competição, foi determinado que o combustível deveria ser metade azul, metade aditivo. Impedindo o uso do combustível verde de aviação.
Anísio Campos não concordou em usar o combustível do autódromo por não conhecer sua octanagem. Ele denunciou que o regulamento não estava sendo respeitado e pediu a anulação da prova.
A Quatro Rodas é de janeiro de 1975 e adianta pra gente que a última etapa foi cancelada.
Havia um manifesto contra a CBA. Poxa eles estavam complicando tudo!
Vamos ver melhor...

Diário do Paraná 8.12.74
Algumas matérias são atrasadas demais... Essa saiu no mesmo dia da corrida... Isso acontece nos jornais, alguns desta pesquisa passaram por isso, mas a gente consegue entender.


Havia expectativa por parte dos pilotos e equipes.
Edgar Mello Filho já era considerado o Campeão, ou seja, a corrida de Tarumã não seria e não foi anulada.
Porém, vejam que situação. O Opala da Itacolomy-Safra, que acabara de ser campeão naquela discussão em Tarumã, não iria correr a próxima etapa pois havia ficado sem o seu piloto. Edgar Mello Filho deixou a equipe.

Jornal dos Sports 20.12.74
Mais uma notícia atrasada.
Confirmação do cancelamento da prova e que o Opala havia sido campeão.

Eu não gosto de polêmica, mas eu acho que da forma que aconteceu, fica feio... dá a entender que o Opala foi beneficiado.

Fim da temporada de 1974



1974
Campeonato Brasileiro de Viaturas de Turismo D3

DATA / CIDADE / AUTÓDROMO / CORRIDA / PILOTO / NUMERO DO CARRO / POSIÇÃO DE LARGADA / CHEGADA / OBSERVAÇÕES

  • 1º - Goiania – Não estava pronto – 0 pontos
  • 2ª – 11/08 - Cascavel Estréia do Berta-Hollywood D3 – Recorde da pista, Pole / 6º. Vitória na primeira bateria. Pneu furou na segunda bateria. – 6 pontos

  • 21/08 – Oreste Berta vai a Interlagos acompanhar os treinos.

  • 3º - 01/09 - 500 KM de Interlagos / Anel Exteno – Tite Catapani - Vitória com 13 voltas para o segundo colocado. – 20 pontos

  • 4º - 29/09 – Fortaleza  / Virgílio Távora – Pole / Vitória – Tite Catapani - 40 pontos * disputa com Paulo Gomes Mercantil Finasa Ford que teve problemas mecânicos e abandonou.
  • 5ª – 11/11 - Porto Alegre / Tarumã – Não participou. Anísio Campos retirou a inscrição de seus pilotos e depois pediu a anulação da prova.

  • 6ª – 08/12 – São Paulo / Interlagos -  CANCELADA.
PARTICIPOU DE 3/5 CORRIDAS / 2 VITORIAS / 1 VENCEU A 1ª E ABANDONOU A 2ª BATERIA


1974 – 2º lugar na Divisão 3 Classe C


Correio Braziliense 21.12.74
Vejam só que interessante. Erguia-se uma grande equipe contra a Hollywood: a própria Ford. Isso é bom demais para o esporte e para os clientes!
Flávio Guimarães, o gerente de Relações Públicas da Ford disse: “O Maverick de Itaim Bibi – bairro da oficina do Greco – andará mais que o de Alta Gracia” – cidade da Argentina onde Oreste Berta tem sua base.

Cara, que legal!!! Esse clima de competição é maravilhoso. Também era um sinal de que a Equipe Hollywood estava “incomodando” a Ford.
Correio Braziliense 11.1.75

Diário do Paraná 5.1.75
Anísio Campos fala do aproveitamento da Equipe em 1974.
Realmente, a lambança que aconteceu na 5ª etapa e o cancelamento da 6ª (última) prejudicaram e muito a Equipe Hollywood. O Maverick poderia ter sido campeão.
Outra coisa apontada é o retorno em divulgação que a equipe precisa oferecer ao seu patrocinador.
Eles fizeram um excelente trabalho. A imagem do Maverick Berta-Hollywood até hoje é de “verdadeiro carro imbatível”.

Jornal dos Sports 21.2.75

O Cruzeiro 12.3.75

Mais um contrato garantido! Vai ter mais Equipe Hollywood nas pistas em 1975.

A principal mudança é a do piloto. Tite Catapani vai correr na Formula Super-Vê e Luiz Pereira Bueno comandará o Maverick.


Que ano agitado para a Equipe Hollywood! Nós queremos mais!!!





Muito obrigado pela atenção e fiquem ligados para a continuação.
Ford Abraço!


MAVERICK NA HISTÓRIA
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