Quando a Ford começou a pensar em trazer o Maverick para o Brasil, os jornais e revistas já anunciavam o início de uma rivalidade com o Opala. Desde então, essa "briga" só aumentou e mais de 50 anos depois, estamos aqui falando disso.
Essa disputa envolvia o espaço no mercado automotivo, a preferência nas ruas, o gosto dos compradores, a performance na pista e tudo mais.
Vamos falar das corridas e mostrar o momento em que o jogo virou, trazendo à tona um novo campeão.
Como já vimos aqui no blog, essa disputa foi acirrada apenas na primeira corrida entre eles, pois foi o início de uma invencibilidade de 15 corridas ou 2 anos e 9 meses do Maverick da Divisão 1.
Vamos falar exatamente dessa dominância do Maverick nas pistas brasileiras, mas sob o ponto de vista da maior equipe particular de corrida que existia: Equipe Hollywood.
O automobilismo brasileiro teve várias fases e foi dividido em muitas categorias para poder encaixar todos. No início dos anos 70, os Dodge não ofereciam a competitividade esperada, então os Opalas dominaram a preferência dos pilotos e encheram os grids.
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| Jornal do Sports 12.7.71 |
A Equipe Hollywood já nasceu grande, pois tinha gente séria e com objetivos concretos para cumprir.
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| O Globo 27.7.71 |
No dia 27 de agosto de 1972, a Equipe Hollywood estreou o seu Opala na Divisão 3, Classe C (3001 a 6000 cc). Foi uma corrida complicada, o Opala guiado por Luiz Pereira Bueno não rendeu o esperado. Na primeira bateria apresentou problemas de regulagem no motor e na segunda, rodou na pista molhada (estava com pneus para pista seca) e foi abalroado indo parar no guard rail.
O grid foi de 6 carros, todos Opalas.
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| A Cidade de Santos 13.9.72 |
Que tristeza bater o carro logo na sua estreia...
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| Jornal do Brasil 18.9.72 |
Pedro Victor De Lamare era o homem a ser batido naquela época. Com o seu Opala, eram muito competitivos. Nessa prova, o Opala da Hollywood não foi bem novamente...
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| Quatro Rodas 10.72 |
Deve ter sido uma briga muito boa de se assistir.
A sua primeira vitória veio na 3 corrida que participou. As coisas ficaram mais fáceis quando o Opala do De Lamare quebrou.
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| O Globo 24.11.72 |
Vish, quanta foto de Opala.... Pode me agradecer viu Opaleiros kkkkkk, eu queria muito encontrar uma pesquisa sobre esse Opala para citar aqui, mas usei bastante do meu tempo encontrar essas e mais um monte de notícias sobre esse carro. É, parece que pesquisas profundas tem que ser comigo mesmo rsrsr
Bom, o jornal diz que o objetivo da Equipe Hollywood era vencer o Campeonato Brasileiro de Viaturas de Turismo de 1973 com o Opala.
Será? O Opala tinha um papel fundamental nos planos da equipe. Lembrando que estamos em novembro de 1972, mesma data em que o Maverick era apresentado no Salão do Automóvel....
O Opala só tinha o próprio Opala como concorrente. Corria sozinho.
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| Gazeta do Povo 21.1.73 |
Legal demais né... Eles dominaram a temporada de 1972, cm destaque para o Luizinho e o Porsche.
Na prova de estreia da temporada em abril, o motor do Opala explodiu na classificação e ele não correu.
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| Diário do Paraná 1.6.73 |
Aqui ele já aparece com a cor vermelha predominando.
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| Quatro Rodas 8.73 |
Passaram ele para 4300 cc.
Nesse período, o Maverick já tinha sido lançado no Brasil e iria para sua primeira corrida.
Foi criado a Divisão 1 e com um Maverick Super Luxo, a Equipe Hollywood entrou na categoria para fazer bonito.
Portanto, dentro da Equipe Hollywood, o Opala corria pela Divisão 3 e o Maverick entrou sem muito alarde na Divisão 1.
Em 4 corridas, o Maverick deles venceu 2.
1973 acabou, a Equipe Hollywood não atingiu seu objetivo de ser campeã com o Opala na D3. O Maverick despontou como um ganhador de corridas, incluindo a última corrida do ano, as Mil Milhas sob as regras da Divisão 3. (Com outra equipe)
Foi aí que a Equipe Hollywood começou a se mexer...
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| Diário do Paraná 17.3.74 |
Março de 1974 e a notícia é que um Maverick Divisão 3 substituirá o Opala.
A maior equipe particular de automobilismo no Brasil mudou seus planos de ser campeã com o Opala e agora vai de Maverick. Porque?
Vamos só relembrar o contexto:
Até a chegada do Maverick, o Opala corria sozinho, Opala contra Opala. A diferença estava no orçamento da equipe, habilidade do piloto, sorte...
Depois que o Maverick venceu na sua estreia uma corrida de 25 horas, um grande marco aconteceu. A partir daquele momento o Opala tinha finalmente um adversário. As equipes foram percebendo que o potencial do Maverick ia muito além do que o conseguiam com o Opala.
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| Diário do Paraná 21.7.74 |
Anísio Campos, o chefe de equipe nos explicou
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| Gazeta do Povo 28.7.74 |
Eu considero a escolha do Maverick pela Equipe Hollywood, em detrimento ao Opala, o ponto chave para essa virada e consolidação de uma nova fase do automobilismo brasileiro. Muitas equipes e pilotos mudaram, mas agora víamos a maior delas fazer esse movimento.
O Maverick não corria sozinho, mas seu principal adversário era sempre outro Maverick. Os Opalas ficavam no fim do pelotão.
Pontos de vantagem do Maverick sobre o Opala, na explicação do Anísio Campos:
Motor V8 de maior cilindrada, menor comprimento, melhor equilíbrio.
Com 60 mil cruzeiros, extraem 440 cavalos do motor do Maverick, enquanto no Opala, apenas 380.
Nos outros pontos, Anísio Campos pega leve e diz que os carros são equivalentes e toda essa comparação fez a equipe escolher o Maverick.
Não era por motivo de preferência, patrocínio, interesse, gosto... O Maverick tinha um conjunto melhor, impulsionado pelo seu poderoso motor de 5 litros. Uma equipe que quer vencer, tem que começar adquirindo o melhor carro: O Maverick.
O Opala ficou definitivamente para trás e já não era mais unanimidade, como nos tempos onde não havia outro carro para fazer frente.
Em junho de 1974 o Maverick já estava na Argentina com o Oreste Berta para se transformar em Divisão 3.
Depois da estreia em Cascavel em agosto, quando bateu o recorde da pista, o Berta em pessoa veio ao Brasil para os últimos acertos do carro em Interlagos.
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| Jornal do Brasil 28.8.74 |
Além é claro do motor com trabalho todo especial, esse carro se diferenciava dos outros Maverick pela sua suspensão e dimensões. O eixo traseiro era bem maior, deixando o carro num formato de ponta de flecha. Isso fazia o carro contornar muito bem e na reta, desaparecer na frente dos demais.
Depois desses ajustes, os 500 KM de Interlagos ficaram fáceis. O Maverick Berta-Hollywood venceu com 13 voltas de diferença!
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| Fatos e Fotos 16.9.74 |
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| Fatos e Fotos 16.9.74 |
Foi e continua sendo um choque!
Essa prova foi disputada pelo anel externo de Interlagos. O Berta-Hollywood foi o primeiro carro a fazer o tempo de volta abaixo de 1 minuto.
Ficava claro a disparidade desse carro para os demais. Uma diferença abismal!
Era apenas a sua segunda corrida, mas todos já sabiam que aquele era o carro mais rápido do Brasil.
A Equipe Hollywood acabava de criar um monstro! O carro de corrida definitivo.
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| O Globo 2.9.74 |
Veja só o que o segundo colocado, Edgar Mello Filho, com o Opala disse: "Eu não podia nem pensar em disputar o primeiro lugar com o Tite. O Maverick dele tem muito mais força do que qualquer outro carro daqui."
Ele ficou feliz com o segundo lugar, porque sabia que aquele Maverick era imbatível. O Edgar é muito cerebral, tanto que um tempo depois foi correr de Maverick também.
Mas olha que coisa, esse Opala do Edgar Mello Filho, era o que a Equipe Hollywood "abandonou". Ele foi campeão da divisão 3 em 1974.
Falando somente isso, parece um troco do destino, um balde de água fria... mas acontece que, como já vimos aqui, das 6 etapas previstas na temporada, o Maverick não participou da primeira por ainda não estar pronto, venceu 2 delas, se retirou de uma outra por protesto e a ultima etapa foi cancelada. Ou seja, não tivemos o campeonato completo e nem o Maverick participou de todas as corridas.
A temporada de 1975, foi mais difícil para ele e, mesmo vencendo apenas 2 de 6 corridas, nenhum outro carro foi mais rápido que ele.
Foto atualizada com sucesso!
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| Fatos e Fotos 30.12.74 |
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| Fatos e Fotos 30.12.74 |
Eu tive o privilégio de estar com esse carro numa ocasião mágica, que foi enquanto o eterno senhor Baptista trabalhava nele.
Tudo o que publicamos sobre o Maverick Berta-Hollywood você encontra aqui
Conclusão:
O Maverick chegou nas corridas para ficar. Quando venceu a primeira corrida que participou, mostrou que ali era o seu habitat natural. Ele não passou nem por um período de adaptação. Os Opalas tinham pelo menos 3 anos de preparação à frente do Maverick, mas isso não impediu o seu domínio.
Como disse, pra mim, o ponto que marca essa virada de "carro vencedor" é justamente a escolha da Equipe Hollywood. É um ótimo exemplo, pois eles tiveram os 2 e eram a maior equipe particular do automobilismo brasileiro.
Eu não fui atrás dos detalhes, mas alguns Opalas também tinham preparação de argentinos. Então não dá pra dizer que um investiu mais que o outro ou coisa do tipo. Não era só do Maverick Berta que o Opala não ganhava, o Opala não ganhava de nenhum Maverick.
Não há choro nem vela, nada disso é baseado em opiniões. São fatos.
Então, em 1973 o Maverick chegou e conquistou. Seu reinado durou até o final de 1976 quando as mudanças de regulamento, problemas no automobilismo e diminuição do interesse das montadoras frente as dificuldades, tornou cada vez mais raro a participação do Maverick nas corridas.
Foi uma época maravilhosa de domínio puro e justo, pois era carro contra carro dentro de um regulamento uniforme. Logo após, as corridas de carros iguais ganharam força e aí o carro já não faz mais diferença...
Pra turma do "discordo", fica aqui também o link das pesquisas sobre as corridas da época. Se você tiver um argumento embasado em fatos, manda aí que a gente conversa numa boa.
Ford Abraço Maverickeiros!
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