segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Em Busca da Concessionária Perdida



Em 12/11/2009 comprei a edição 192 da revista QuatroRodas e fiquei impressionado em saber que o teste realizado no Maverick havia passado por Pirassununga, que na época ainda se escrevia com Ç no lugar dos dois S. Lembro que no mesmo momento tive a vontade de ir atrás da concessionária que prestou serviço ao Maverick, mas não levei a idéia a frente.
Com o tempo meu envolvimento com o Maverick aumentou e senti a necessidade de parar de apenas usar as informações que já existiam e começar a, quem sabe, produzir mais informações. Uma das formas de fazer isso foi por meio deste blog.





Pirassununga é encostado em Porto Ferreira, cidade que moro. Tive férias em agosto desse ano e a vontade de ir em busca da Rodar Veículos e Peças LTDA, concessionária Ford de Pirassununga, aumentou bastante.
Fiz uma pesquisa rápida na internet sobre a concessionária e descobri que:

  • Seu último endereço foi na Avenida Padre Antonio Vann Ess, 2211, bairro Rosário.
  • Fechou  em 2000. Falência número 158/95. Leilão dia 1/9/09 – Juíza Flavia Pires de Oliveira – 2ª Vara Cível.
  • O mesmo prédio foi utilizado pela concessionária Ritmo Chevrolet por volta de 2006.

Não era o resultado que eu queria, mas já podia imaginar que uma concessionária dos anos 70 poderia mesmo já não existir mais. Isso me desanimou um pouco, mas eu estava de férias e não custaria nada ir procurar saber mais sobre essa concessionária e sobre o Maverick que passou por lá. Nessa mesma noite, assisti ao filme A Lenda do Tesouro Perdido e aí não tinha mais volta, eu iria sim desvendar o que tinha acontecido em Pirassununga.

No dia 16/8/2013 acordei cedo, separei minha revista e meu caderno de anotações, montei na moto e só parei no antigo endereço.
O prédio está abandonado, com um banner de aluga-se e não sobrou vestígios de que aquilo um dia foi uma concessionária.



Estive lá, mas não tirei foto. Essas são imagens do Google Maps


Eu não tinha ninguém conhecido na cidade, não tinha ninguém no prédio para que eu pudesse perguntar alguma coisa, então fui até a concessionária Ritmo, que fica próxima pra ver o que eu descobria.

Entrei meio sem jeito e sem saber como explicar o que eu estava fazendo ali kkkkkkk
Eu esperava falar com alguém mais velho, um funcionário antigo, mas foi uma moça bem jovem e muito atenciosa que me atendeu e comecei a falar o que eu queria, coitada, deve ter pensado que eu era louco kkkkkk. Ela chamou outro funcionário e ele me indicou o Zé Lavador, disse que o Zé era lavador na Rodar e saberia me dar mais detalhes.
O Zé também foi atencioso e disse que havia trabalhado na Rodar nos  anos 80 e 90, mas quem saberia responder tudo o que eu precisasse seria o Guiguer (não tenho certeza se é assim mesmo que escreve o nome). O Guiguer era o gerente da Rodar e agora trabalhava na concessionária da Toyota em Pirassununga mesmo.

Fiquei contente, pois tudo começava a fazer sentido e agora a principal pessoa da Rodar poderia me atender.
Saí de lá procurando a Toyota e no meio do caminho parei e pedi informações. Era engraçado quando eu falava para as pessoas que eu estava atrás de uma coisa dos anos 70, eles até  faziam uma cara estranha. O Guiguer foi recomendado por mais duas pessoas, enquanto que os outros dois que estavam junto diziam que não ia adiantar ir procurar e que eu não acharia nada. Eles lembravam da Rodar, disseram que era antiga mesmo, mas era forte na cidade. Confirmaram que havia falido e que não tinha sobrado nada. Eu entendo, a revista era de 1976, mas o teste foi realizado em outubro de 1975, há 38 anos! Muito tempo...
Agradeci pela informação e segui rumo a Toyota.
Meu coração já estava saindo pela boca quando cheguei na Toyota e pedi para falar com o Guiguer. Enquanto aguardava ele chegar, expliquei o que eu queria para outro funcionário e ele também confirmou que o Guiguer era a pessoa certa.

Não demorou muito e ele apareceu, então expliquei que o que eu queria com ele não tinha nada a ver com serviço e se ele poderia mesmo me atender. Muito educado, ele ouviu tudo o que eu disse e depois relatou que  havia trabalhado na Rodar de 1975 à 2000, quando já no cargo de gerente fechou as portas da concessionária pela ultima vez. Disse que não há mais nenhum documento da Rodar, que o prédio sofreu um incêndio, assaltos e depredações. Das coisas mais recentes, ele disse que até tinha algumas em casa, mas que precisaria procurar. Eu estava em busca de algum manual, ordem de serviço, catalogo, foto, chaveiro, qualquer coisa.
A todo momento eu deixava claro que não queria perturbá-lo com isso, mas ele disse que iria procurar e se encontrasse algo sobre o Maverick, me daria.
Ele ainda elogiou a Ford daquela época, disse que realmente eram os melhores carros. Falou do Galaxie, do Corcel, do Maverick, só falou bem, mas disse que hoje em dia a Ford já não era mais a mesma para ele.
Achei muito interessante tocar nesse assunto com ele, mesmo sem conhecê-lo, percebi que quando falei da Rodar e da Ford, sua expressão facial mudou. Ele anotou meu telefone e ficou de procurar em suas coisas, e pelo que ele disse são muitas, algo sobre o Maverick e então me ligaria.

A minha “cara de pau” funcionou, fui atrás de uma cidade de fora, para falar com pessoas que eu não conhecia sobre assuntos de 38 anos! Além de ser conhecida como a cidade da pinga 51, Pirassununga também é a cidade simpatia e isso eu pude confirmar, todos com quem falei foram atenciosos e me ajudaram, principalmente o Guiguer. Imagina, interrompi o serviço dele para falar de um assunto totalmente “sem importância”, mas mesmo assim ele ouviu, falou, anotou meu telefone e deu toda atenção com todo o respeito.

Ainda aguardo essa ligação, mas não tenho como cobrá-lo por nada, só posso agradecer. Foi muito interessante essa minha busca pela história da Rodar e também é claro do Maverick. Saí de lá muito satisfeito e arrependido de não ter feito isso antes.

Essa foi uma das contribuições que fiz ou tentei fazer para o Maverick. Eu não tenho condições de ir a todas as concessionárias ou a todos os lugares que ele passou, mas se estiver ao meu alcance, eu irei sem pensar duas vezes. Eu tinha receio de não ser bem atendido, mas deu tudo certo. Não sou exemplo para ninguém, longe disso! Mas você que gosta de Maverick, o que poderia fazer para juntas mais informações sobre ele? Uma visita a biblioteca da sua cidade, uma pergunta a um parente... tudo isso ajuda. Fica aí um incentivo.



FORD MAVERICK NA HISTÓRIA
Pra quem quer saber a história por trás da história.

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