terça-feira, 21 de maio de 2013

1973 - O Maverick nas corridas

Minha parte favorita! Corridas, pista, velocidade!
Eu quero separar as corridas por ano, mas também seria legal colocar todas as corridas de todos os anos em um só post, ia virar um post quilométrico :)
Nós precisamos ter em mente que boa parte das coisas da época a gente encontra e sabe, mas não podemos dizer que o que existe é somente o que encontramos, com certeza ainda fica muita coisa para redescobrir sobre a história.
Vamos lá!



Folha de S. Paulo 14.4.73
Você já vai entender melhor o que está acontecendo, mas vejam, o Avallone passava a ter o motor V8 do Maverick, só que os adversários não concordavam com isso, pois temiam que ficariam para trás. Achei maravilhoso o que o Antonio Carlos Avallone disse a respeito do uso do motor e do apoio que a Ford estava dando às corridas.

Essa foi a primeira tentativa de tirar o Maverick das pistas, mesmo não sendo o carro em si, mas tentar banir o V8 302 significaria que o Maverick não poderia correr também.

Pois é, o Maverick nem tinha sido lançado e já botava medo em todo mundo.



O Fluminense 19.4.1973

Esse carro da foto não é um Maverick, o que ele está fazendo aí?

Esse jornal é muito importante. Ele fala sobre a homologação do Maverick para as corridas, permitindo assim que o motor Cleveland V8 302 seja também utilizado nos Avallone (Divisão 4), esse carro da foto. Na verdade só estaria mesmo homologado depois da venda de 1000 unidades.

Essa decisão da Confederação Brasileira de Automobilismo abria as portas para o Maverick poder correr no Brasil. A partir dessa decisão a rivalidade no automobilismo envolvendo o Maverick estava oficialmente iniciada. Vamos acompanhando.

Diário do Paraná 22.4.73

A Ford sem dúvida estava um passo à frente. Liberou o motor para ser testado nas pistas antes de lançar o Maverick e ao mesmo tempo investiu no esporte.
Nilson Clemente no volante? Coisa boa vem por aí!

Diário do Paraná 4.5.73

O assunto não é específico do Maverick, mas devemos dar atenção a essa parte da história também. Não vou me aprofundar na Divisão 4, mas a reportagem mostra que o calendário seguia e o Avallone-Ford era a maior novidade.

Diário do Paraná 9.5.73
Olha só, aqui "compararam" o V8 do Maverick com o V8 do Ford GT!
Que interessante. Eles estavam pra correr num campeonato, mas ainda usavam o motor com suas configurações originais para testar eficazmente o motor nas condições que seriam aplicadas ao Maverick. Após esse período de testes, Luis Antonio Grecco iria fazer uma receita para o motor render nada mais que 440 cavalos!
Eram vários carros, mas só esse tinha o motor Ford V8 302. Vai lá, mostra pra eles!



Lembrando que no mês de junho o Maverick já estava devidamente lançado e a venda no Brasil.



O Estado do Mato Grosso 20.7.73
Que experiência fascinante! Nilson Clemente conta em detalhes como é estar a 270km/h em Interlagos a bordo do Avallone Ford.

Veja a parte 2

O Estado do Mato Grosso 21.7.73
Eu nunca tinha lido uma descrição tão fantástica, dá a impressão de estar lá com o piloto.

Está entrando no clima das corridas? Logo é a vez do Maverick ir pra pista.



Diário do Paraná 26.7.73
Aqui criamos a esperança da possível estreia do Maverick nas pistas. Ele já era considerado pela maioria como o futuro dominador da categoria.

Imagina.... Um carro novo, numa corrida que nunca correu, com pilotos que não o conhecem e mesmo assim já é favorito. Esse é o Ford Maverick.


Folha de S. Paulo 13.8.73
Quanta diferença de 1000 milhas pra 25 horas em Interlagos. Essa corrida não era somente a mais longa, ela era longa demais! Seria a sua primeira edição. Um teste e tanto para os carros.


Essa era a corrida pra trazer de volta a paixão dos brasileiros por corridas de longa duração.

Espera aí! O Maverick iria estrear logo na corrida mais longa do Brasil? Mas ele nunca correu, ele acabou de ser lançado! E agora? Não tem chance nenhuma....

Folha de S. Paulo 27.8.73
Aqui é Maverick meu filho! O resultado não poderia ser outro: Vitória.

Os primeiros a vencerem uma corrida com o Maverick no Brasil foram Nilson e Bird Clemente e Clóvis Moraes.

A história dessa corrida é legal. Não era oficial, mas todos diziam que o Opala, segundo colocado e que terminou com as mesmas 370 voltas, estaria utilizando um tanque maior que o original do carro. Depois da prova o Bob Sharp colocou o carro a disposição para uma vistoria, mas só  fizessem no Maverick também. Ele alegava que o Maverick não estava homologado, mas a CBA já tinha feito a homologação e o motor até o V8 302 já corria em outra categoria, então não sei de onde ele tirou essa idéia. Terminou que ninguém conferiu o carro de ninguém e o Maverick conquistou a sua primeira vitória no Brasil!

Foi também uma mescla de novos piloto com os dinossauros do automobilismo. Os Maverick foram guiados pelos mais experientes.



Então vamos marcar aqui os primeiros que pilotaram o Maverick no Brasil:

Luiz Pereira Bueno
Clovis Moraes
Antonio Castro Prado
Antonio Canto Porto
Chico Landi
Bird Clemente
Marivaldo Fernandes
Nilson Clemente
Tite Catapani
Luis Landi
Alex Dias Ribeiro
Afonso Giaffone
Dante di Camillo
Lucio Naja
Paulo Costa

Só feras!

Quatro Rodas 9.73


Quatro Rodas 9.73

Quatro Rodas 9.73
A corrida mais importante da época, as 25 Horas de Interlagos, foi onde o Maverick mostrou sua vocação para as competições.
Com pouco mais de 1 mês no Brasil, o Maverick estreou com vitória deixando evidente a diferença que havia para o Opala. Eram 5 Mavericks contra 14 Opalas.
Não concordo com a Quatro Rodas quando diz que o Maverick ganhou nos boxes. O carro é melhor, a equipe é melhor e mesmo sem ter a experiência que o Opala tinha nesse tipo de corrida, a vitória do Maverick prova sem questionamentos que era e ainda é superior ao Opala. Mesmo com algumas polêmicas e reclamações a vitória foi justa.

 A opinião da Quatro Rodas nós conhecemos bem. Vejamos o como a Placar Magazine ilustrou e contou sobre essa corrida:

Placar Magazine 7.9.73
Vemos Chico Landi em destaque, mais que merecido. Ele foi o precursor de praticamente tudo no automobilismo brasileiro.

Placar Magazine 7.9.73
 O Maverick ficou em segundo plano. Chico Landi e Bird Clemente deram ao Ford a honra de o ter guiado.


Folha de S. Paulo 4.9.73
Os argumentos da Ford eram poderosíssimos! A qualidade o Maverick era inquestionável e o resultado dessa corrida realmente não deixava dúvidas disso.

Folha de S. Paulo 9.9.73
O Maverick da equipe Hollywood registrou a volta mais rápida da corrida.
Detalhe, esse foi o primeiro Maverick da Hollywood, o mais invocado com o aerofólio veio em 1974.

Quatro Rodas 10.73
E com o Maverick que já marcava 3000km no odômetro, Bird e Nilson Clemente chegaram a frente nos 500km de Interlagos
Olha, 4 Maverick na mesma foto... Cadê os adversários?


Quatro Rodas 10.73
Era Maverick contra Maverick e qualquer um deles poderia ter ganho. Essa era a magia da Divisão 1: carros originais e idênticos.

Quatro Rodas 10.73
Lá em cima na foto aparece 4 Maverick juntos e agora vemos que eram 5 que correram, quer dizer, fizeram uma corrida a parte. A atuação do Maverick deixa-nos sem palavras...






Folha de S. Paulo 21.9.73

Repetimos quantas vezes for!
Em 15 dias o Maverick vencia outra importante corrida deixando claro que seu habitat natural era nas pistas.
Nos 500km de Interlagos a supremacia do Maverick foi ainda maior, era praticamente outra categoria.

Veja 19.9.73

Apoio das montadoras às corridas. " O sucesso nas pistas influi decisivamente sobre as vendas, de tal forma que competir passa a ser também uma questão de marketing." Esse pensamento vai justificar muita coisa nas corridas...


Folha de S. Paulo 30.9.73
Agora era fora de Interlagos. As Seis Horas de Tarumã seria uma experiência diferente para o Maverick. Será que ele mantém o 100% de aproveitamento?


Jornal do Brasil 1.10.73


Deu trabalho encontrar uma matéria que contasse como foi essa corrida, mas valeu todo o tempo e esforço empenhado. Foi o único meio de comunicação em que encontrei, isso porque eu olhei em vários :) O que importa mesmo é o registro de mais uma vitória do Maverick que até piscou farol pra fazer a ultrapassagem!

O Maverick vencedor foi da equipe Hollywood



Folha de S. Paulo 29.10.73
 

Bônus: entrevista com o piloto Alex Dias Ribeiro aos 25 anos. Esse mês assisti um programa na TV em que ele foi convidado.


Folha de S. Paulo 29.10.73
Mais uma vitória, agora nas 200 milhas de Interlagos.

Quatro Rodas 12.73
É isso mesmo! 4 corridas, 4 vitórias! Mais uma vez a disputa ficou entre os Maverick.


Quatro Rodas 12.73

Agora era Maverick contra Maverick, a concorrência estava muito para trás!
Maverick 100% em 4 corridas.
O Maverick vencedor foi da equipe Hollywood



Folha de S. Paulo 8.12.73
Eu sempre li e ouvi dizer que a gasolina azul era a melhor de todas e que era de avião e tal... Estava enganado, a gasolina verde era a mais forte, depois vinha a azul e por último a gasolina amarela.
Bom, para a corrida não seria permitido o uso da verde por causa da crise do petróleo. Será que afetaria o Maverick???

Folha de S. Paulo 8.12.73
Nessa matéria vemos o que pode acontecer na corrida.

Eu sei, está difícil de ler.. não deu pra melhorar muito...

Folha de S. Paulo 10.12.73
Muitas derrapagens com o óleo que estava pela pista.

Folha de S. Paulo 10.12.73
"Os invencíveis" podem muito bem se referir aos irmãos Clemente como também ao Maverick.



Quatro Rodas 1.74
Que foto bonita heim. Está vendo aí que "não é" o mesmo Maverick das outras corridas? Esse não era um Maverick Divisão 1, foi o primeiro Maverick Divisão 3 a vencer no Brasil.

Quatro Rodas 1.74
Vitória com folga, 4 voltas a frente.

Quatro Rodas 1.74

Como diz meu amigo, deu a lógica, o Maverick novamente. Eram 3 Maverick correndo e foi interessante a Quatro Rodas dizer que as cilindradas do Maverick eram 4900, antes ela não colocava as cilindradas e a partir de então passou a dizer 5000.

Placar Magazine 21.12.73




Olha a apresentação feita dessa matéria. Perfeito! Dá mais vontade ainda de ler.


Placar Magazine 21.12.73
Finalmente era pra ter uma verdadeira disputa entre Maverick e Opala nas pistas, mas....lá na volta 4 (kkkkkk) uma biela do segundo cilindro do Opala o tirou da prova.

Espera, preciso falar: Senhores Lemyr Martins, Fernando Baldijão e Aureliano Biancarelli, parabéns por essa matéria. Eu estou impressionado e acredito que seja o melhor texto a respeito dessa corrida. Muito obrigado por fazerem tão bem o seu trabalho.

Enquanto o Maverick liderava e a noite caía, pessoas acampadas no autódromo eram atendidas por se intoxicarem com a fumaça dos carros. Esse fato não faz diferença nenhuma na corrida, mas é muito importante pra quem está lendo. Gostei muito dos detalhes dessa matéria. Imagino a situação....




Placar Magazine 21.12.73
No final vemos o segredo da preparação deste Maverick Divisão 3. Ele tinhas os cabeçotes Dan Gurney e um comando de válvulas da Ford americana, quatro carburadores Weber 48 de corpo duplo, freios a disco, suspensão adaptada e pneus importados.
Já tentaram desqualificar esse Maverick por causa daquelas coisas do regulamento e tal, mas essa era a Divisão 3 e a vitória foi confirmada para o Maverick numero 20 e mesmo se não fosse pra ele, ficaria com outro Maverick, então a concorrência não podia fazer nada.

Viram essa foto do vazamento de gasolina no Maverick? Não ficou explicado o que aconteceu, mas foi muito estranho.


Diário do Paraná 11.12.73
"ficando sem graça"?
Se os irmãos Clemente estavam invictos há 6 corridas, o Maverick estava há 5. Eu vejo muita graça nisso rsrsrsr


Folha de S. Paulo 19.12.73
Embora aqui diga 4 provas, o Maverick correu em 5, como vimos uma a uma. Perfeito desempenho para qualquer carro, principalmente pra um que está em seu primeiro ano nas corridas.

Folha de S. Paulo 17.12.73
Em 1973, Luiz Pereira Bueno correu de Opala pela Equipe Hollywood. Em 1974 as coisas mudariam....
Aqui vemos que o Maverick venceu mais uma corrida da Divisão 1 para pilotos de competição e pilotos oficiais de competição.
Uma prova que o Maverick não ganhou na Divisão 1. Parecer ter sido somente uma corrida que o Camillo Christofaro decidiu por o Maverick em teste, pois ficou muito para trás.

Mas por não ter certeza, não vou contar essas corridas.

Um Opala foi campeão. As provas que o Maverick participou não faziam parte do campeonato. O Maverick corria, mas não disputava o campeonato com ninguém.

Jornal do Brasil 26.12.73

Não citaram o Maverick, nem deram muito valor, acho que porque foi o primeiro ano, mas Bird Clemente teve todo seu mérito reconhecido

Depois de um ano como esse a Ford estava sorrindo a toa.
Nós acompanhamos as cinco corridas que o Maverick participou.
TALVEZ, essas sejam todas as corridas que o Maverick ganhou em 1973.

Hoje as principais categorias do automobilismo são multimarcas, porém com o conjunto mecânico idêntico para todos. Então se o carro A vence não podemos dizer que é melhor que o carro B, pois tem as mesmas condições de mecânica. Na época era Ford com tudo Ford, Chevrolet com tudo Chevrolet, e quem ganhasse era o melhor, não tinha dúvidas. O carro da pista era praticamente o mesmo das ruas. Entendem o que quero dizer? Era Opala contra Maverick e não hoje que é equipe A contra equipe B.

Tenho certeza que é do agrado de todos a história do Maverick nas pistas e essas foram só as corridas de 1973, ainda tem muito mais.
A gente fala muito dos carros e da rivalidade da época, mas não podemos de dar os parabéns e agradecer a todos os pilotos que guiaram esse maravilhoso carro, seja com vitórias ou não, seja equipe famosa ou não. Vocês são nossos heróis e serão sempre lembrados.

Mais uma parte do quebra-cabeças apresentado na primeira postagem:
Esse artigo une-se ao Teste de Economia e ao1973 - 1º Raid da Integração Nacional.
Logo teremos mais testes.



Aconteceu? Maverick está envolvido? Então aqui é o lugar!


FORD MAVERICK NA HISTÓRIA
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